terça-feira, 20 de novembro de 2018

Crônicos problemões da VELHA MÍDIA.

De início, meio que sem pedir licença, os donos dos jornalões e das grandes emissoras de rádio e TV passaram a livremente escrever seus EDITORIAIS. Ali era o espaço reservado para a “opinião dos editores”.

Em um segundo momento ou talvez em uma segunda linha de ação, cada veículo passou a seguir uma LINHA EDITORIAL, mas não pela escolha da importância dos temas, e sim pela forma de abordá-los. A pior forma admitida e que pode ser chamada de qualquer coisa, menos de jornalismo.

Vemos, lemos, ouvimos e sentimos isso acontecer o tempo todo na velha mídia.

Um exemplo bem fresquinho saiu, pra variar, de uma reportagem veiculada na Rádio Bandeirantes.

Para falar dos médicos cubanos, deram voz a alguns personagens. Aqueles cubanos que consideravam injusto o trabalho de médico que exerciam no Brasil, aqueles que não compreendiam o propósito do acordo assinado entre Brasil e Cuba.

Tivesse quem fez a “reportagem” um mínimo interesse em fazer o mínimo daquilo que se espera do JORNALISMO, bastaria ouvir os dois lados. Talvez apenas ler o que foi publicado ainda nessa semana, no UOL, sobre alguns médicos cubanos, deixando o Brasil e considerando que nosso povo elegeu um lacaio, que desmereceu o serviço até então prestado, o que motivou Cuba a por fim ao acordo de colaboração.

Uma terceira linha de apresentar ao público uma visão única dos fatos é não abrir espaço, após determinada matéria ou notícia, para comentários e avaliação dos leitores.

Há inúmeros sites, inclusive não apenas da velha mídia e tampouco alinhados com o espectro político de direita que adotam tal sistemática. O www.conversaafiada.com.br é um deles.

Mas nota-se isso também nos podcasts da CBN. Antes, era possível comentar determinada mensagem e até discordar dela. Talvez por terem percebido que os comentários não eram sempre elogiosos nem totalmente "de acordo", resolveram suprimi-los.

Até quando essa gente vai achar que são os Deuses da Informação?

Uma quarta faceta de ignorar aquilo que é o legítimo propósito do leitor é simplesmente deixar de responder aos questionamentos dos mesmos leitores.

Recentemente, ao abordar quais órgãos estariam sob a batuta do novo Ministro da Justiça, tanto a Globo quanto a Folha deixaram de mencionar simplesmente a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor. Por perceber tratar-se de fato recorrente, optei por escrever ao colunista, Vinícius Torres,  da Folha a seguinte mensagem, até agora sem resposta:


Vinícius,

Acho incrível o desprezo da velha mídia ao tratar do Ministério da Justiça sem falar na Senacon.

Outro dia o JN mencionou todos os órgãos que estariam sob a batuta de Moro sem citar a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor. Hoje você fez o mesmo em seu artigo.

É sabido que ações consumeristas movimentam muito o Judiciário. Se bem coordenada a Política Nacional de Defesa do Consumidor pode evitar muitos problemas. A Senacon também tem papel importante de articulação com o Legislativo em temas que afetam nosso dia a dia. E deve também ter voz ativa na regulação, especialmente para evitar que Agências favoreçam demais investidores e executivos de empresas, em detrimento do interesse dos consumidores.

Uma Senacon atuante deve estar permanentemente articulando o sistema de defesa do consumidor. Procons, MPs, entidades civis etc.

Não por acaso, no governo Dilma, a Senacon chegou a ter status de Ministério. No governo Temer, Artur Rollo caiu, coincidentemente após bater na questão da cobrança de bagagens - conflito com ANAC / interesse das empresas aéreas?


Sugiro que, após ouvir especialistas, não deixe de lado a Senacon em suas próximas colunas.



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