sábado, 16 de junho de 2018

TIM - mensagem publicitária indesejada conjugada com indução do consumidor em erro

(  ) indução do consumidor em erro
(  ) indução do consumidor a erro
(  ) indução do consumidor ao erro

Seja qual for o modo de expressar, é isso que faz a empresa TIM (e outras também) quando manda uma mensagem oferecendo mudança para um outro plano, conveniente apenas para o fornecedor, seguida de teclas "OK" e "VOLTAR", como "opções" para o consumidor aceitar ou não um contrato.


O primeiro grande problema já foi mencionado.
A mudança de plano oferecida, em regra, não traz vantagem alguma para o consumidor. A intenção é, no mais das vezes, fazer com que ele desembolse maior valor mensal e de forma constante.

Notar que não há sequer um processo de convencimento. Uma demonstração de que o consumidor estaria, por exemplo, pagando mais no plano atual, com base na análise do perfil durante algum período.


Recebi agorinha uma mensagem dessas no telefone usado pela minha mãe, senhorinha de quase 85 anos, que não consome sequer a cota "obrigatória" mensal - valor mínimo de créditos (normalmente inserimos R$15,00).

A mensagem referia-se a um plano com ligações ilimitadas - apenas para telefones da mesma operadora (TIM) - ao custo de R$19,99 / mês.

Evidentemente, a empresa conhece o perfil do usuário e sabe que não está oferecendo algo compatível, mas ainda assim insiste.

Temos então mais alguns problemas:

1) a mensagem extrapola o caráter meramente "publicitário indesejado", pois tem o condão de possibilidar que o consumidor "contrate pelo engano".

Quantos consumidores desatentos não clicam em OK, pensando ter apenas compreendido a mensagem, sem na verdade estar.

Qual é o nível de letramento de nossa população? Basta verificar esse ponto para ligar o sinal de alerta em relação a esse tipo de procedimento.

2) a empresa não tem como certificar-se de que aquele que clicou OK é mesmo o titular da linha (pode ser o filho menor, alguma pessoa que esteja com o celular emprestado)

3) deveria antes ter pactuado com o consumidor a possibilidade de envio de mensagens publicitárias, mais JAMAIS podemos admitir esse "novo contrato embutido", ainda mais com esse sistema de aceitação.

Na falta de regulação adequada, a empresa trabalha com a possibilidade de o consumidor ter de optar pela recusa

Pior do que isso, o consumidor precisa procurar saber como inibir esse tipo de mensgem, porque sobre EDUCAÇÃO PARA O (não) CONSUMO as empresas não enviam mensagens.

De todo modo, como tenho condição diferente de minha mãe, para buscar soluções pela internet, verifiquei que o procedimento para evitar esse tipo de palhaçada, no caso da operadora TIM, é enviar uma mensagem (SMS) para 4112, com a palavra SAIR.

Fiz o procedimento (protocolo 2018646496808, aberto em 16-06-2018 às 11:05:14), conforme resposta automática recebida no próprio celular, endereçada pelo número 4198.

Curiosa é a ressalva colocada pela empresa, na mensagem que descreve o procedimento para "sair" / deixar de receber esse tipo de mensagem: A TIM ressalta que os SMS promocionais enviados pela operadora servem para divulgação de benefícios para o cliente.


Ou seja, no mínimo, uma meia verdade, tendendo para a MENTIRA.

Como imaginar que uma cliente de 85 anos, que só gasta R$15,00 ao mês, porque é obrigada, haja vista o montante de crédito acumulado, poderá contar como benefício ter um gasto 30% maior? E ainda com ligações limitadas a própria operadora!

Realmente, os fornecedores não evoluem no quesitos RESPEITO AO CONSUMIDOR, especialmente no tocante à boa fé.

Dia desses estive em um evento promovido pelo Ibrac. Estava lá o representante (diretor jurídico) da Febraban, falando das suas, tendo ponderado que, nos casos de empréstimo, a autoregulação do setor prevê que o consumidor não apenas aceite como também confirme.

Evidentemente, o segmento bancário não é exemplo de boas práticas, mas pelo menos nesse quesito está um pequeno passo à frente.

O setor de telecomunicações não conta com autoregulação e, pelo visto, tem também REGULAÇÃO FRACA, feita pela ANATEL, em prejuízo dos consumidores.

Caberia à ANATEL, pelo menos:

1) sistematizar o envio de mensagens constantes aos consumidores - educativas - alertando para o direito de permanecer no plano mais conveniente e mais módico (estabelecendo, inclusive comparativos, de forma a estimular a boa concorrência);

2) exigir das empresas que, tenham consentimento do consumidor antes de enviar mensagens publicitárias - e tão somente mensagens publicitárias (nada além disso);

Sim, enviar mensagens publicitárias - e somente mensagens publicitárias - apenas aos consumidores que expressamente tivessem autorizado, porque sem autorização, estamos permitindo o spam.

Segundo o dicionário digital CALDAS AULETE, spam é:

1. Mensagem eletrônica não solicitada, ger. indesejada, enviada em massa para muitos endereços eletrônicos (e-mails) ao mesmo tempo
 

3) PROIBIR EXPRESSAMENTE qualquer tipo de contratação, especialmente vinculadas às mensagens publicitárias, mediante o simples teclar de um OK ou coisa que o valha.


Enquanto nada disso acontece, fazemos nossa parte que é:

- agir individualmente, bloqueando mensagens não consentidas;

- divulgar para nossos parentes e amigos como fazer para bloquear esse tipo de mensagens;

- pressionar as autoridades,  especialmente a Agência reguladora, a fazer melhor o seu trabalho, para que não tenhamos que continuar a perder tempo e dinheiro com questões que já deveriam estar superadas.



 P.S.: Inacreditavelmente, AINDA HOJE, após escrever esse texto, recebo MAIS UM SPAM, dessa vez foi assim:

"De um play na sua sorte! No tim Recarrega você concorre a prêmios na hora! E ainda concorre a 
R$20.000! Clique Ok e assine QUIZ Recarga Certa por R$1,09 / dia OK / VOLTAR.

Notar que, sobre o sorteio, informações essenciais não são prestadas.

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