domingo, 19 de julho de 2015

Efeito da crise econômica e social?

Dia desses, acabei esbanjando um dinheirinho.

Fui a um restaurante conceituado em Santo André, mas que já havia saído da minha relação de preferidos - por conta de problemas anteriores.

Algo estranho. Metade das mesas vazias, em uma área que costumava ser concorrida e ter até uma pequena fila de espera naquele local.

A namorada já havia jantado e resolvi me servir de algo que tinha no buffet self service. Pedimos também uma saladinha, dois sucos e por fim dois cafés.

Ao servir os cafés, garçon chegou à mesa em tom amistoso e perguntou se poderia servir um licor, que já trazia em uma bandeja, com garrafa e taças "para acompanhar o café"...

Ficamos surpresos! Tradicionalmente servem água, às vezes um limãozinho açúcarado ou pequenas guloseimas. Um licor seria um diferencial!


Perguntei ao garçon se estavam disponibilizando licor como acompanhamento do café há muito tempo e ele respondeu afirmativamente e, enfim, nos deixou com duas tacinhas de licor, além do café.

(Sinceramente, talvez por influência do meu lado idiota, não vislumbrei que pudesse ocorrer o que veio a acontecer depois...)

Quando chegou a conta, de pouco mais de R$100,00, notamos que R$32,00 eram correspondentes apenas ao licor (R$16,00 a dose!).

Após refletir, reclamei com o garçon.
Ponderei que ele em nenhum momento sugeriu que haveria cobrança do "acompanhamento", muito menos sinalizou que o valor seria algumas vezes o preço do café.

Perguntei se ele costumava agir daquela maneira com outros clientes e se não havia recebido nenhuma reclamação. Ele respondeu que sempre procede da mesma maneira e que jamais recebeu reclamação similar. Sugeriu que eu falasse com o gerente, pessoa que orienta o que deve ser oferecido e o modo de oferecer.

Salientei que frequento outras casas similares e que nunca fora vítima de tal ardil. Ponderei que não pagaria a taxa de serviço (pouco menos do que o cobrado por uma dose do valor do licor) e, a contra gosto, falei com o gerente.

O cidadão reconheceu que eu frequentava a casa há muitos anos e que aquele não era o procedimento habitual. Tentou justificar dizendo que, às vezes, para aumentar o valor da conta, o funcionário se excede, sem que essa seja a orientação da casa. Por fim, disse que, em uma próxima visita "o café seria por conta da casa".

Evidentemente, não haverá próxima visita nos próximos anos.

Apurei agora que uma garrafa, com 700 mL do tal licor é vendida ao consumidor final por R$70,00. Ou seja, o custo unitário da dose seria de R$5,00. Como é comprada de um distribuidor, deve custar para o bar metade desse preço. E é vendida ao consumidor então por mais de 5 vezes o preço de custo, por 3 vezes o preço do café e representa quase 1/3 do valor de uma conta com refeição leve e dois sucos.

Como o restaurante em questão é da mesma rede de um famoso bar, na mesma cidade, risco da lista também o bar.

Fiquemos apenas com time que está ganhando.

Tivesse o gerente pelo menos excluído da conta os R$32,00, consideraria que tudo não passou de um engano. Como a suposta compensação ficou para uma "visita futura", além dos desencontros nas versões do gerente e do garçon, o diálogo só agravou a situação.

Não sei se estou paranóico, mas me parece que em tempo de poucos clientes tem gente querendo esfolar os que ainda sobram. Não é a melhor estratégia!
















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