domingo, 24 de maio de 2015

Por mais e melhores soluções I


Falta de comunicação, falta de depuração dos pleitos e falta de engajamento e cooperação são grandes obstáculos que precisamos superar para facilitar conquistas e avanços.


Não raramente temos a oportunidade de participar de alguns grupos, ativamente, na medida do possível, com vistas à superação de situações injustas ou desconfortáveis.

Já notaram como é problemático colocar todos pleitos como se não houvesse diferenças entre eles? Já pensaram como há diferenças e resistências menores ou maiores entre os pleitos? Alguns são mais polêmicos, outros mais difíceis e alguns que não são resolvidos de imediato apenas por falta de entendimento ou de um pouco mais de boa vontade.

Vejamos a greve dos professores estaduais de São Paulo, em curso. Um dos pleitos é o de reajuste salarial de 75%, para que eles passem a ser remunerados como os que atuam em outras carreiras de nível superior, até porque parece que há consenso - o professor deve ser tratado com o devido prestígio, como ocorre em comunidades ditas mais avançadas.

Quem poderia discordar totalmente de algo tão justo?

O caso é que, de imediato, simplesmente não há recursos para quase que dobrar a folha de pagamento da maior categoria profissional do estado. Além disso, há outras categorias, como os profissonais da saúde pública, também imprescindíveis e merecedores de remuneração e condições de trabalho mais dignas, tanto quanto os professores.

O pleito deve ser mantido, mas a forma de atendê-lo é construir algo a médio prazo, acompanhando o aumento da receita do estado ou com recursos oriundos de outras fontes, como a verba destinada da extração do petróleo. Apenas estabelecer diálogo e ações neste sentido já seria uma conquista para a categoria.

Será que um pleito mais viável, para atendimento em prazo mais curto, não seria exigir que todos os professores aprovados no último concurso fossem convocados para assumir seus cargos? Quem sabe, na mesma linha, celebrar concursos em menor periodicidade para não ter na rede tantos professores sem vínculo estável. Nem isso ainda temos!


A comunicação é grande entrave. Vamos considerar que exista alguma impropriedade no discurso acima, ao tratar dos pleitos dos professores – qual pode e deve ser atendido mais rapidamente e qual não. Seria importante que o grupo tivesse argumentos muito claros e bem compreendidos pelo maior número de pessoas possível, de modo a fortalecer o foco do movimento.

Comunicar é tornar comuns as informações e às vezes até os entendimentos., Em suma, qual nosso entendimento comum sobre o que é mais importante?  O que pode ser atendido imediatamente ou no curto prazo? O que não tem viabilidade para ser atendido imediatamente?

Notar que há vários componentes na questão da comunicação efetiva, que é aquela que realmente interessa. A produção do conteúdo é de responsabilidade de todos, embora sob a coordenação da liderança. Ter o cuidado e o esforço de ler e contra-argumentar, de maneira respeitosa e produtiva, também é trabalho de todos. E, por fim, refinar as condutas a partir do que foi comunicado, renovando o discurso e praticando o que é dito.

Convém ainda tratar do engajamento. É claro que quanto maior o clamor relativo aos pleitos mais justos e factíveis, mais acelerado será o processo e a obtenção dos resultados. Se aquele que pode e deve atender o pleito - QUEM DECIDE - não tem diante de si o número exato de pessoas que esperam atendimento ou se essas pessoas não se mostram coesas e interessadas, trabalhando em prol da solução, fica como se o pleito, que é da maioria, fosse de alguns apenas. E mais, se houver outros pleitos concorrentes, de outra entidade tocada por gente mais organizada, focada e atuante, certamente o pleito mais complexo, menos organizado e com representatividade menos demonstrada seguirá preterido.

Ou seja, sem "luta" ou , na verdade, sem muito empenho, as chances de evolução ficam bem reduzidas. Melhor dizendo, se cada um viver seu mundinho quem perde é a coletividade.

Por essas e outras razões é tão importante o estudo e a prática da língua e da comunicação e de nossa educação básica e continuada. Selecionar ideias, fundamentar, hierarquizar, saber expor, sempre da melhor forma, mais respeitosa e efetiva, com esforço, inclusive, na leitura e revisão de conceitos, nossos e de nossos pares.

Que tenhamos assim cada vez mais consciência daquilo que queremos e que tudo o que for primordial e bom para o maior número de pessoas possa ser atendido prontamente ou tão rapidamente quanto nossa inteligência e boa vontade permitir.


"Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo.
Quem roubou nossa coragem?"

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