domingo, 24 de outubro de 2010

Mais um lixo de reportagem

Hoje, logo cedo, o destaque do UOL era o que você pode ler, ao clicar neste link:

Estatais ampliam quadro em 30% no governo Lula


É preciso, antes de tudo, ter em mente que as 118 empresas "controladas pelo Tesouro", como diz a reportagem, foram assumidas após um governo especialista em terceirização, "estagiarização" e sucateamento de empresas e do serviço público.

Resumiu a "fala do outro lado" à seguinte frase: Para seus defensores, o aumento reforça o Estado e é fruto do crescimento econômico e da substituição de terceirizados.

"Esqueceu" de aprofundar o que motivou a substituição dos terceirizados, não tocou no assunto de estagiários... nada falou sobre como estava e como ficou o serviço público antes e depois das contratações.

Como era, por exemplo, o atendimento no INSS no governo FHC e como passou a ser no governo Lula?
Quantas universidades federais foram inauguradas no Governo Lula?
Quantas escolas técnicas?

Para ter um mínimo grau de confiabilidade, deveria haver um aprofundamento das razões que levaram cada uma das citadas 118 empresas a contratar.
Seria por falta de concurso há muito tempo?
As contratações trouxeram melhor atendimento à população?

Qualquer governante decente teria que contratar servidores - não só pela expansão da própria economia - mas por ter recebido a herança maldita de um governo que deixou de realizar concursos por anos e anos, que não costuma realizar concursos com número de vagas de acordo com a necessidade.
Um bom exemplo é o caso dos professores em São Paulo. Estão em condição precária 100 mil professores, mas no último concurso foram anunciadas apenas 10 mil vagas.

(A propósito, temos um artigo de Gabriel Perissé, que aborda também a forma "carinhosa" com que a categoria dos professores é tratada aqui em São Paulo: DIA DE PROFESSOR EM ÉPOCA DE ELEIÇÃO)


Ou seja, talvez 30% no aumento tenha sido até pouco.

Outros aspectos que poderiam ter sido mencionados na reportagem é que os salários dos 112 mil funcionários melhoraram a vida das famílias destas pessoas, retiraram gente do desemprego ou liberaram as vagas correspondentes aos empregos anteriores que elas ocupavam (empregos públicos ou privados). E, evidentemente, os milhões de reais pagos anualmente a estes funcionários retornaram para a economia, gerando ainda mais empregos, lucro, desenvolvimento... E parte do produto desta dinamização retornou também para o próprio Estado, em forma de impostos, que geram mais e melhores serviços públicos, em um círculo virtuoso.

Esta é uma das grande diferenças entre um governo do PT e do PSDB.
Pena que a grande mídia coloque no destaque uma visão tão distorcida.

E, como se não bastasse a cobertura rasa e tendenciosa, a reportagem ainda joga um outro assunto, que nada tem a ver - a troca de mensagens políticas pelos "e mails" corporativos da Petrobrás.

E claro que diante desta ligação, o leitor menos crítico ficaria a imaginar que as pessoas foram contratadas para não fazer nada ou para se dedicar à campanha política.
Aqui mais dois graves problemas.
Primeiramente, correio eletrônico é apenas mais uma forma de comunicação. E não é de todo incomum que funcionários troquem impressões políticas, no horário de trabalho.
Notem que não estamos aqui a fazer juízo de valor nem a justificar a postura - apenas lançando a constatação de que as pessoas trocam ideias sobre a política no horário de serviço.
E claro que isto não ocorre com um ou outro funcionário só na Petrobrás.
Será que nunca ocorreu em "e mail" corporativo de nenhuma empresa privada?

Devemos continuar a construir imagens de todo um corpo funcional pelo ato de um ou outro funcionário?
E os atos praticados em uma estatal devem ter mais destaque do que os praticados em empresas privadas?

Questiono: e se isto ocorre em uma emissora de TV privada?
Trata-se de uma concessionária, também indiretamente sustentada pelo preço da publicidade - no fim das contas, por todo o povo.

Seria isenta a reportagem se abordasse a circulação de correios eletrônicos com mensagem política em todas as empresas, públicas e privadas, com mais profundidade.
Do contrário, perpetua-se o estigma, baseado em falsos argumentos.
Afeta-se a IMAGEM de uma categoria, perante o povo.

Talvez por isso Zé Dirceu tenha alertado, no vídeo que você pode assistir (clicando aqui), para o fato de que o direito de imagem tá na Constituição igualzinho ao direito de liberdade.

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