terça-feira, 22 de junho de 2010

Safadeza com os dias contados?

Hoje o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor - em âmbito nacional - mudou sua postura.

A matéria ilustra a decisão tomada e seus motivos:

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2248634/para-sndc-aparelho-celular-e-produto-essencial




Realmente, imaginar que praticamente um quarto do que se processa nos atendimentos dos PROCON's de todo o país seja para limpar a sujeira deixada por menos de meia dúzia de empresas é algo deplorável.

Refiro-me, especialmente, à LG, NOKIA, Sony Ericsson e Samsung.
Não tanto à Motorola, que ao menos teve o cuidado de adotar gestão diferenciada, em 2009, a ponto de não ter índices tão vergonhosos como as outras.
E, na mesma esteira, estão outros fabricantes de eletro eletrônicos, que ainda não adotam as soluções previstas em lei.

E há que se considerar também a fatia de mercado, tomada por estas empresas.

Será que tem mais reclamações quem tem maior mercado?
Será que a Sony Ericsson vendeu mais do que as outras?

Ou é banana comendo macaco, como diria um amigo?
(Verdade que, depois da chacoalhada, a Sony Ericsson reverteu o processo - embora ainda tenha sempre a melhorar!)


Sinceramente, nem acho que um telefone celular seja algo "tão essencial", para todo mundo. Mas a reportagem deixa bem claro que é, de novo, para a parte mais carente da população - aquela não contemplada pelo milagre anunciado da privatização - que ainda não goza do serviço de telefonia adequado, muito menos a preço módico.

Celular, na minha cabeça, não é mais essencial do que geladeira ou fogão, por exemplo. E, se aceitamos chamar a assistência técnica para consertar fogão e geladeira, seria o caso de também concordarmos em levar os aparelhos para serem consertados.

Mas o que falta é bom senso. Razoabilidade.

As empresas que mais lesam, além de deixarem o sujeito sem o serviço, por mais de um mês, muitas vezes tem o descaramento de fazer o cidadão esperar mais de 30 dias, por uma resposta, além de outras dezenas de dias úteis, para efetiva devolução do valor, apesar da atuação do PROCON!

Isto sem contar aquele imenso número de alegações - no mínimo, duvidosas - de suposto "mau uso", do consumidor. O mesmo consumidor que não é adequadamente advertido sobre o que não deve fazer com o celular, e o mesmo que recebe, muitas vezes, produtos de má qualidade, às vezes danificados de fábrica ou nas próprias assistências técnicas...

Alguém já tentou se pautar nas instruções de manual de celular, mal escrito em letras minúsculas...
Imagine, então, como fica a orientação para a parte iletrada da população, para os completamente analfabetos, para os analfabetos funcionais, para os que não tem boa acuidade visual, etc, etc - apenas ainda no quesito INFORMAÇÃO. Sempre lembrando que aquilo que limita o direito deve ser colocado OSTENSIVAMENTE.

Não fosse o flagrante desrespeito à legislação - que determina a imediata restituição do valor pago pelo produto, em caso de vício de qualidade - em caso de falta de reparo do vício em 30 dias ou se for o bem essencial, não estaríamos na situação surreal que hoje nos encontramos.

Só falta as empresas acordarem.
Talvez deixar de lado a ideia de "auto regulamentação" - que não levará aonde é preciso - e focar a ação simplesmente em bem atender os consumidores em suas centrais de atendimento, de forma a poupar o aborrecimento dos cidadãos e de forma a deixar de abusar dos bancos de atendimento e dos canais de tratamento do Estado.

Lembro bem do que diz o Zé Paulo de Andrade, regularmente: EMPRESA SÉRIA NÃO DISCUTE - RESOLVE!


Afinal, não querem pagar menos impostos? E um Estado mais eficiente?

A eficiência tem que aparecer dos dois lados!

E, por incrível que pareça, em tempos de "banana comendo macaco", um sinalzinho positivo de princípio de mudança vem da Telefonica.

Vejam nesta matéria: TELEFONICA ASSUME COMPROMISSO INÉDITO COM O PROCON

1) Dizem que irão reduzir mais reclamações do que todas as outras - no mínimo 42% em relação aos números de 2009 (esperamos que seja bem mais - afinal, até quando teremos que tolerar a mesma empresa na liderança da lesão?)

2) O bom sinal é que, segundo dizem, o número de reclamações já caiu no próprio SAC da empresa, quase pela metade (o que não deixa de ser mais uma evidência de que faltava muita gestão e sobrava muita lesão)

Quero acreditar que a decisão do DPDC, a ser seguida pelos PROCONs, represente o que uma coleguinha bem ilustrou. Uma correção para a vara torta. Diz ela que, quando tá muito torta mesmo, é preciso uma força drástica, na direção contrária, prá ver se endireita...

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