quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

RESPOSTA AO CONSULENTE ANÔNIMO INSULTADO

Só hoje reparei em uma consulta que chegou ontem, como comentário “anônimo”, aqui no blog.

Confesso que é a primeira vez que me deparo com este tipo de situação – consulta pelo blog.

Diz mais ou menos o seguinte:

Interessado em comprar um “apartamento”, fez contato com quem anunciava. O vendedor pediu que fizesse uma oferta. No entanto, quando o interessado ofereceu o que julgava justo, até baseado no preço verificado por “apartamentos” similares, o vendedor considerou-se ofendido e passou a insultar o comprador em potencial. Houve troca de xingamentos, o comprador divulgou o ocorrido internet afora.

Quer saber agora o que pode fazer contra o "mau fornecedor".

Claro que não posso falar aqui em nome da instituição para a qual trabalho. Aliás, o blog é uma projeção de minhas dúvidas...

E nem vou falar apenas em relação de consumo, pois acho que a questão vai bem além.

Convido o consulente anônimo a refletir sobre alguns fatos:

1)Boa parte da humanidade tem problema de caráter, em diversos graus – é psicopatinha, piscopata ou psicopatão (isto ouvi do Gikovate, no programa do último domingo);

2)Nem sempre vale a pena levar adiante discussão, especialmente com desconhecidos, se não sabemos até que ponto aquilo pode chegar;

3)Muitas vezes, a causa do problema vai muito além do Direito, pode estar lá no fundo, insondável;

Claro que trabalhamos pelo bem da humanidade, que devemos fazer nossa parte, lutando contra as injustiças, colocando, dentro do possível, no eixo quem está fora dele. Só que nem sempre convém entrar de peito aberto em um campo que não sabemos se é minado.
Afinal, morrer por uma causa ou viver por tantas outras?

Uma coisa é eu lidar com uma pessoa, física ou jurídica, que opera no campo formal da solução de problemas, seja o Judiciário, a “boca no trombone”... Outra é lidar com um desconhecido, corajoso demais, que não acredita em nada, para quem nada tem valor, a começar por sua própria vida a terminar na do pŕoximo.

Sei... o anônimo não saiu do ponto onde estava, com esta minha contribuição. E o vendedor de “apartamentos” poderá a lesar da mesma forma muitos outros. Talvez sim, talvez não. Poderá encontrar o que merece ou não. E não sei exatamente o que ele merece nem se o terá por amor ou pela dor.

P.S.: Motivado pelo comentário do visitante que nos honra, cabe esclarecer que existe nobre corrente, formada também por advogados, que já reconheceu a importância de todo o povo na pacificação dos conflitos. É possivel conhecer parte desta corrente, clicando aqui.

Pessoalmente, tenho ressalvas quanto ao uso indiscriminado das conciliações (ofensores habituais procuram levar vantagem deste sistema - aliás, contra estes, qualquer sitema precisa de ajuste!). No entanto, foi a leitura da tese de doutorado do Dr. Roberto Ferrari Ulhôa Cintra, indicada por um amigo, que esclareceu alguns pontos e que me capacitaram a ver a faceta positiva e até imprescindível da conciliação.

Um comentário:

Guatimozim Andrade disse...

O anônimo poderia consultar um ADVOGADO ou outro OPERADOR DO DIREITO - únicos profissionais autorizados por lei e aptos pelos 5 anos de estudos jurídicos a dar orientação jurídica.