domingo, 31 de maio de 2009

A partir de "CRIME E CASTIGO"...

Só hoje terminei a leitura de "Crime e Catigo", iniciada no Carnaval.

Queria um primeiro contato com o tão falado Dostoievski; conhecer sua abordagem sobre a redenção pelo amor.
Uma colega lembrou que o livro não trazia "só" isso, que isto nem seria o primordial.

De fato, aborda Justiça, viciações, o que conduz ou não a atitudes... (O mais importante não é saber o que é de primeira ou de segunda ordem...:-)...

Foram aproximadamente 25 horas de leitura, espalhadas por pouco mais de três meses.

Gostei muito de ter conhecido Porfiry e Svidrigailov.
Interessantes os questionamentos sobre tabaco, mulheres...

Porfiry, ser bem construído, sabe que fumar faz muito mal, a começar pela tosse. E lamenta não saber beber... Entende que, se ao menos soubesse, uma substituição poderia ser útil.
Sobre mulheres "fáceis" - Svidrigailov entende tratar-se de "uma forma de preencher o tempo". Será só o tempo?
E que tamanho mal lhe fez não saber lidar com o amor!

E como Dostoievski tá sempre na boca do povo mergulhado em Literatura, na última sexta, ao falar em seu "Provocações" com Contardo Caligaris, Abujamra lembrou que Dostoievski teria chegado à conclusão que o casamento corrói a alma...

Mesmo programa em que Contardo deixou a seguinte mensagem final - conselho moral:

"Não esqueça de fazer as coisas pelas quais, se não as fizer, você vai sentir culpa pelo resto da vida."


(Duro é saber quais são elas!!!)


Será paradoxal alguém defender o amor como forma de redenção e, ao mesmo tempo, dizer que o casamento corrói a alma?
Talvez amor e casamento não estejam, em regra, na mesma "caixa".
Ou talvez esta corrosão seja inerente à vida, como o envelhecimento... Não um mal!

Procurei a citação, "via Google", para saber em que texto o escritor russo teria exprimido tal opinião.
Não encontrei. Mas achei uma poética ligação entre homem, Deus e preenchimentos...

"O homem possui dentro de si, um vazio do tamanho de Deus."

Como uma leitura puxa outra, no romance há citações sobre Schiller.

(Tenho aqui meu primeiro contato com este imortal:

http://www.pensador.info/autor/Friedrich_Schiller/)

e também sobre "A Dama das Camélias", provavelmente minha próxima leiura.


Tem me intrigado o fato de um mesmo autor trazer abordagens aparentemente conflitantes sobre temas. Isto também ocorre na MPB.

Vanessa da Mata canta "Boa Sorte" mas também "Não Me Deixe Só". Caetano, "Queixa" e "Não Enche".

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder, o que com freqüência, poderíamos ganhar por simples medo de arriscar.

William Shakespeare