terça-feira, 24 de março de 2009

TER PARA (nos) DAR

Pessoas "TDB" - tudo de bom - cultas, cheirosas, bonitas, inteligentes, legais, engraçadas... - até com bom caráter!

Interesse, sedução, encantamento... paixão, real ou platônica...

Sonhar é bom; "qualquer canto é (ou costuma ser) melhor do que a vida de qualquer pessoa".

O choque com a verdade ou com a realidade é que não é.

O valor das raridades se relativiza, se dispostas a trocar conosco praticamente nada.

TENTANDO SER... e falando também em características que alguns SERES especiais TEM - verdade que algo mais do que material.

Não sei bem por que, me vem Quintana...

"A vida são deveres que trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas...
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, já não sabemos mais por onde andam nossos amigos.
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, passaram-se 50 anos.

Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado um dia, uma oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde e como estão, e diria: vocês são extremamente importantes para mim.

Seguraria o meu amor, que está, há muito, à minha frente e diria: Eu te amo.

Desta forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter alguém ao seu lado ou de fazer algo por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente...não voltará mais."

Estes deveres de casa são um processo de tentativa e erro, em que a gente vai tentando perceber no que está se tornando e ajustar a rota, na direção da felicidade, de acordo com o que imaginamos que ela seja, cada tempo de um jeito... Que confusão!!!

Lá pelo meio da jornada reconhecemos que aos jovens ou imaturos pouco adianta apontar o que vale ou não a pena.
Primeiro porque a valoração é individual. E segundo porque, mesmo que haja consenso sobre algo "errado", talvez o grande valor da experiência seja aprender sobre um erro de forma marcante.

Aos trinta anos, tive a sensação extremamente pretensiosa de que não repetiria deslizes que passei a achar grosseiros. E, de fato, não fiz barbeiragens em situações que não tinham mais sentido.

Agora, prestes a entrar no último ano da quarta década, chama minha atenção a necessidade de tomar cuidado com as máscaras. Nas situações-limite em que tiver de optar entre "SER AMADO" (agradável) e "SER COERENTE" com os próprios pensamentos e sentimentos, tendo a deixar de lado a primeira, até para sofrer menos, como consta em um texto, publicado neste espaço.

Tudo sem esquecer Clarice...

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”


Nada de radicalismo, sob pena de vir a ser outro, não necessariamente melhor nem mais suportável do que o anterior.

Mas, ainda assim, é importante perceber quando tem valor o real e quando são também importantes as situações de miragens, fantasias...

E, dentro disso, reconhecer o valor das pessoas e situações ricas e raras em si mesmas, quem sabe também minimamente prontas para receber, trocar... sem esquecer que lacunas também podem ser preenchidas com um (tentar) SER generoso; especialmente no caso de alguém ainda bastante egoísta, como eu.

São mesmo as ditas pessoas "TDB" que mais tem a nos dar, que mais estão aptas a receber e com quem mais podemos trocar? Coincidência rara, mais rara ainda se duradoura...

Pode ser que falte mesmo reconhecer o valor de tudo o que está ao nosso alcance e, quem sabe, trabalhar na Educação geral para mais poder dar, receber, trocar...merecer...

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM...
Situações problema são as que, por mais que tenhamos boa intenção, acabamos fazendo de tudo, menos o bem!

Eita confusão múltipla!


"Os escritos são projeções de dúvidas do autor."
Ubiratan Rosa

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