segunda-feira, 2 de março de 2009

SINTO (MUITO)

Perturba-me notar o que afetou recentemente um astro internacional da bola, uma estrela da música não menos conhecida, da mesma forma que afeta gente anônima por toda parte.

Ninguém sabe ao certo o que ele procura em um prostíbulo acessível eventualmente até ao povo da classe média baixa. Ela, de caso com um moleque quase trinta anos mais novo.

Isso está longe de ser novidade. Brincar com pessoas mais jovens e que aparentemente tem saúde para dar e vender é um costume que vem lá dos tempos de Platão; consta que ele próprio curtia meninos...

Verifiquei no que há publicado sobre a vida pregressa do boleiro e da cantora.

Dele noticiaram sempre relacionamentos com mulheres que chamaram mais a atenção pela beleza física. Nunca soubemos que tenha feito escolhas a partir de coisas como as que Paloma Duarte deve ter visto em Oswaldo Montenegro.

Ela, exótica e de alma mais refinada, não deixaria de ter romances nem sempre convencionais: com um segurança, com um ator renomado (de mesma faixa etária), com um diretor meia-boca (10 anos mais moço)... Este, desde o início a recriminava. Preferia que ela não se vestisse como o que considerava "uma prostituta velha". E no final do relacionamento os impropérios sem pé nem cabeça foram piores: passou a chamá-la de "velha", "gorda", "enrugada", "feia" e até "má cantora!". Contudo, o moço ainda encheu os bolsos, quando da separação!

E, depois de tudo, veio a declaração da "mega-star", de arrependimento: "Deveria ter me envolvido com alguém que tivesse mais sangue quente, mais espiritualidade, determinação..."

Como se não bastasse, a moça teve a delicadeza de ir à cerimônia de premiação daquele outro citado "ex". E justamente este, o "mais maduro" deles (48 anos), comentou o fato de ela estar com um brasileiro, 30 anos mais jovem:

"Adotou mais um filho?"

Brincadeira? De bom gosto? Zombaria? Ironia?

O que ela encontrará no ainda mais novo menino?



Há muito tempo trago no coração um preceito simples: "A natureza tem suas leis. Uma delas é: devemos usar as coisas e amar as pessoas".

E sobre USAR e AMAR gosto muito de um texto de Rubem Alves, que remete a Santo Agostinho, que dividia a vida em coisas do "uti" e do "frui". Quem quiser conferir, leia aqui "A CAIXA DE BRINQUEDOS".

Tudo isso me faz pensar... até que ponto, nestes envolvimentos entre pessoas, um toma o outro como brinquedo e é tomado como ferramenta? Como num parque de diversões - uns ali estão trabalhando, outros estão para se divertir e tá rolando a brincadeira...

Não! Não sou a prostituta a pregar a castidade!

Penso que o problema nem está na prostituição, nem na prostituta. A meu juízo, enquanto atriz, é possível fazer de tudo, sem nunca ter sido vulgar. A cantora em comento é o mais claro exemplo disso.

A depender do jeito de ver, uma garota de programa pode até ser uma atriz (boa ou ruim, muito mercenária ou não!); do mesmo modo, o usuário do serviço pode estar até ali, mas longe da vulgaridade.

Quem parece apoiar tal tese é Manuel Bandeira, como tenta realçar Pompeu de Toledo (clique aqui).

Dia destes, uma amiga lembrou que, em regra, eu costumava gostar de todo mundo, dizer que acredito na possibilidade de troca com o mais variados tipos de gente. Talvez movido por esta crença, cheguei até a tentar atuar oficialmente como EDUCADOR!

Mas educadores entendem bem o sentido da "Parábola do Semeador". Algumas sementes caem nas pedras, outras no espinho e só algumas no solo fértil! Às vezes, com engenharia, solo pedregoso produz! Mas é preciso que todos os envolvidos queiram, além de muito mais empenho...

O educador, mesmo não cristão, conhece a cultura em que está inserido e a recomendação para que não se atirem pérolas aos porcos.

O problema é que a gente precisa de muito mais do que a suavidade de pomba e a astúcia da serpente NÃO APENAS para saber se o que temos são mesmo pérolas ou sementes; NÃO APENAS para discernir se não estamos mais para porcos...

E, com as asas da verborragia e a permissão da digressão, me acorre agora um outro ditado:

"Podemos plantar e colher limões em alguns meses, mas para obter pérolas são necessários anos!"

Quantas pérolas tenho? Quanto fiz por ter acesso à pérolas verdadeiras?
Quanto da vida tenho agido como porco, lançando fora pérolas?
Quanto da vida estou a plantar limões?

Sinto muito mesmo, tanto mais quanto mais legal for a pessoa afetada, que faz "escolhas não tão legais", na tentativa de ocupar o vazio existencial (do craque à musa da música) e mais ainda pelos anônimos, especialmente os mais próximos, que passam a viver de junkie food, a suportar até blá-blá-blá nonsense (talvez nem pela diferença de idade, e sim pela divergência de interesses), a troco de praticamente NADA, ao mesmo tempo em que abdicam de outros tesouros - a começar pela amizade, que sempre merece TEMPO, DEDICAÇÃO, CARINHO, ATENÇÃO..., além de respeito à escolhas, à privacidade, etc.

E quem seria mais próximo? Eu... dentro de mim - sinto muito por nós que precisamos demais ainda TENTAR SER, algo além do nada ou de só vazio.

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