domingo, 15 de março de 2009

PALAVRA (EN)CANTADA

Recomendo o documentário "PALAVRA (EN)CANTADA", em cartaz no Espaço Artplex Unibanco - shopping Frei Caneca. Ou, em breve, nas locadoras.

Bem possivelmente, muita coisa ali pode impressionar.
Nele incluiram este poeminha, profundo, que não é uma canção e que pode tocar, na hora certa:

Álvaro de Campos
Todas as Cartas de Amor são Ridículas
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

O F. Pessoa tava um tanto virulento... Pessoas antes capazes de amar e de despertar amor podem ESTAR ridículas, por não entenderem ou acharem babaquices atos de amor. Mas também podem voltar a SER RIDÍCULAS, no bom sentido...:-)...

2 comentários:

Anônimo disse...

Todos perdidos em seu canto.
Enquanto no meu canto guardo a minha voz.
Talvez um dia eu me encanto e saio do meu pranto e deseje ouvir a sua voz.
Daí eu me encanto e me encontro em qualquer canto - desde que ela diga onde é o meu lugar.

"Poesia para um linda mulher".

Anônimo disse...

Há coisas que só os olhos que choram podem ver direito.

Louis Veuillot