quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

AÇÃO DE CIDADANIA

SOU CONTRA CONSÓRCIOS
e CONTRA A MÍDIA OMISSA!

Acabo de assistir ao JORNAL DA GAZETA. Inconformado, mandei uma cartinha à Maria Lydia. Na semana passada, mandei outra ao LINHA DIRETA COM A JUSTIÇA - programa de rádio na BAND.

Acredito que com a exposição de nossas idéias tudo vai sendo ajustado. Talvez, até nossos equívocos.

Compartilho com os colegas que dedicam atenção a este espaço o que propus à cara jornalista. Proponho que reflitamos sobre o tema.

Maria Lydia,

Acompanho seu trabalho há muito tempo e gosto dele.

Todavia, entendo que hoje houve duas gafes no JORNAL DA GAZETA. A primeira, no tocante à pauta - deixaram de falar de um assunto importante. A segunda, na abordagem sobre o sistema de consórcio.

FALHA NA PAUTA

Nesta data, como vocês sabem ou deveriam saber, a PROCURADORIA DO CONSUMIDOR ingressou com ação contra a TELEFONICA, com vistas ao recebimento de 1 BILHÃO de indenização por danos morais e materiais, como forma de compensação às centenas de milhares de pessoas que lesou, desde a privatização da velha e boa TELESP. Evidentemente, a ação tem o caráter de inibir a reincidência do problema.

É algo de porte inédito NESTE PAÍS. Considero incontroverso que reparo precisa ser feito. Está nas mãos do Judiciário decidir o "quantum" deverá ser pago.

E, conforme o resultado da ação, a empresa irá continuar a agir como age ou alterar seu "modus operandi". Também conforme o porte da punição, outras empresas adotarão atitudes mais ou menos positivas, no tocante ao respeito pelo consumidor. E também o povo passará a acreditar mais ou menos na Justiça. Cabe consignar que RELAÇÕES DE CONSUMO movimentam a maioria das ações nos Juizados Especiais Cíveis. Quando se faz JUSTIÇA, o cidadão nela acredita; quando não se faz...

Ademais, se todos clamam por um Judiciário menos abarrotado, por menos filas no PROCON, é necessário que as empresas que mais lesam sejam as protagonistas na harmonização da relação.

Se Maria Lydia quiser abordar o assunto, ainda nesta semana, sugiro que chame às falas o presidente da Telefonica. Mas não aceite aquele discurso de que "a Telefonica conhece e cumpre as leis...", proferido quando do "apagão do SPEEDY", no ano passado.

Antes disso, é recomendável a leitura da íntegra da petição (38 páginas), disponível, por exemplo, no saite* do PROCON. Ela tem como epígrafe uma frase de Millôr Fernandes:

"Quando você se sente um perfeito idiota, está começando a deixar de sê-lo. "
Millôr Fernandes
.

Foi bastante feliz a procuradoria, a partir daí!

É provável que a assessoria de imprensa diga que a empresa "prefere não se pronunciar..."

Sugiro, então, Maria Lydia, que sua equipe peça o depoimento de consumidores vítimas da má conduta da Telefonica: que informem quantos foram os contatos para a solução, o que ouviram dos funcionários, que medida foi ou não tomada, etc. Certamente, aí na TV Gazeta não será difícil encontrar funcionário, parente ou amigo que tenha um caso. Se faltar aí, nas filas dos PROCON's deverão encontar. A menos que, alvo da ação, a empresa mude radicalmente, do dia para a noite.

Bom seria fazer também testes, com uma meia dúzia de ligações para 10315, de ligação de algum celular com gravador, só para verificar o que acontece.


ABORDAGEM EQUIVOCADA SOBRE CONSÓRCIO

Quanto às novas normas de consórcio, faltou ouvir alguém que tenha um parecer correto sobre o sistema. Sugiro que seja dada palavra ao professor José Dutra Vieira Sobrinho - autor de livros de Matemática Financeira e consultor altamente gabaritado para tratar do assunto.

Não tenho procuração do homem, mas provavelmente ele dirá aos telespectadores da Gazeta que consórcio é "coisa nossa" - JABOTICABA - que só tem no Brasil.

Explicará que, para os primeiros sorteados do grupo, é um ótimo negócio. Pena que só para estes poucos de cada grupo, pois quanto mais a contemplação se aproxima da metade ou do final do grupo, mais se chega próximo do ponto em que consórcio fica de simplesmente desvantajoso até tremendamente desvantajoso. Ou seja, em regra, é melhor que a pessoa faça uma poupança e compre à vista ou junte para pagar valor inicial complemente o restante com financiamento convencional.

Você pode pedir ao Professor Dutra (ou a William Eid, da FGV, ou a qualquer outro do mesmo gabarito), por exemplo, que faça um cálculo de financiamento, na situação daquele cidadão que você mostrou, que deu R$17.000,00 como lance, para a compra do bem. Experimente verificar se, para ele, não teria sido mais vantajoso o financiamento. Os professores explicarão por que.

Quanto à comparação de taxa de juros de 12% ao ano no financiamento contra menos do que 2% ao ano no consórcio, é realmente esdrúxula. Não poderia ser veiculada na TV!

Se não me engano, Mauro Halfeld, nesta semana colocou um "podcast" sobre o assunto, na CBN.

E além do que podem lhe dizer os professores calculistas, eu ainda saliento que, conforme dados publicados, no "site" do Alberto Tamer, há alguns anos - quase metade dos que aderem aos grupos de consórcio são excluídos ou desistentes. Dados tomados do BACEN. Pena que a autarquia deixou de publicar o número de desistentes e excluídos!

Sua reportagem pode também perguntar ao BACEN qual a proporção atual de desistentes e excluídos em cada segmentação de consórcio!

Em suma, para os desistentes - UM NÚMERO BASTANTE SIGNIFICATIVO DOS QUE FIRMAM PROPOSTAS - o negócio é pura perda. E dentre os que persistem (OUTRA PARTE DOS ADERENTES), só é bom para os contemplados no início - ruim para todos os outros!

Infelizmente, da forma que tem sido colocado (não só pela TV Gazeta como pelas empresas de comunicação em geral) o povo fica com a impressão de que em "país com escassez de crédito, o consórcio é uma ALTERNATIVA...", como disse o comentarista do programa. E você mesma chegou a ponderar que é preciso analisar "caso a caso". Faltou dizer que na maioria esmagadora dos casos o negócio é péssimo!

Por outro lado, considerei boa a reportagem sobre a merenda escolar, especialmente por terem salientado que, com a terceirização, o governo passou a gastar 4 (quatro) vezes mais do que quando operava com servidores públicos, contratados por concurso.

E como Luther King, "I have a dream..." (tão grandioso, bom e também de difícil realização) : a volta da TELESP estatal, com melhor serviço, menores tarifas e melhores empregos. Na verdade, tenho alguns grandes sonhos: que, como o Ministério Público recomenda, o setor público deixe de terceirizar a merenda das crianças...

Quanto ao consórcio, se fosse bom, também apoiaria a criação da CONSORBRÁS - mas este tipo de negócio não recomendo nem na PRIVADA nem de forma GOVERNADA!

P.S:

1) em 26/04/2008, coloquei, neste blog, "e mail" que mandei ao Heródoto Barbeiro, movido pela mesma indignação sobre o que é dito - e mais ainda sobre o que não é dito - sobre CONSÓRCIOS.


* - Millôr Fernandes, assim como eu, escreve saite! Na verdade, a exemplo dele, passei a escrever assim...:-)...

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