quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Viagem, desde que passei a ter noção do que seria um "silogismo"...

Há alguns anos, presenciei uma palestra de um destes papas do Direito do Consumidor.

Dia especial em minha vida. Em dado momento, perguntei ao sujeito se ele não achava ilegal a prática adotada por "instituições de ensino", que anunciam o valor da mensalidade "x, com desconto", válido para pagamento até a data do vencimento, mas estabelecem que, ultrapassada a data, o valor passa a ser "y, sem desconto", tremendamente superior a "x".

Ponderei que as multas por inadimplência estão limitadas a 2% e que, com tal prática, a meu juízo, estas empresas encontraram uma forma de burlar a lei.

O palestrante discordou de mim, sugeriu que eu havia produzido um "silogismo" e disse que dar desconto qualquer empresário sempre pode!

"Silogismo", à época, não fazia parte de meu vocabulário ativo nem passivo - mas entendi que o termo expresava algo falacioso.

De qualquer forma, continuo a pensar que uma prática que, indiretamente, permite a cobrança de valor tremendamente superior a 2% do valor que seria pago no dia do vencimento, em caso de pequeno atraso, nada mais é do que uma forma de burlar a lei.

Seria eu um "cabeça dura"?

Talvez, mas neste caso o palestrante, por fim, também ficou com a pulga atrás da orelha e confessou que, muitas vezes, seus pares (desmbargadores) lhe apresentam questões deste tipo como um desafio, pois apesar de perceberem haver "algo errado", não conseguem proferir SENTENÇAS INCONTESTÁVEIS e ISENTAS como gostariam, com base no "arcabouço legal".

Que tal então um maior esforço para a produção de sentenças ou, na pior das hipóteses, modificação da lei para vedar expressamente a prática?

Anos já se passaram e nada disso foi feito...

Pelo menos passei a ter noção do que seria "silogismo", a partir de exemplos tomados da internet, como:

Stevie Wonder é cego.
Deus é amor.
O amor é cego.
Logo, Stevie Wonder é Deus!

E também conforme um outro, de meu Professor Marinho:

O mar é feito de água e sal.
A bolacha é de água e sal.
Logo, água e mar são a mesma coisa!

Ou seja, uma enunciação de uma suposta verdade, a partir de duas premissas verdadeiras. Enunciação que, no entanto, podemos perceber que é falsa.

Nossa! No quesito "formulação de conceitos" também preciso melhorar, né?

Mas por que escrevo isso? Primeiramente para dividir estes "primeiros passos em conceitos filosóficos", de modo a poder ajudar outro inculto a entender melhor um discurso onde figure o termo.

Verdade que podemos "filosofar" até bem sem saber tais conceitos, da mesma forma que há muitos que falam e escrevem bem sem dominarem os "conceitos gramaticais". Aliás, talvez nem os próprios Gregos Filósofos tivessem os conceitos na ponta da língua.

Ainda assim, sugiro que a gente tente identificar por aí não apenas SILOGISMOS como também SOFISMAS!

Escrevo também porque hoje me deparei com o título de uma cómedia, em cartaz na cidade, que chamou a atenção:

"NÃO ME ACOMPANHE QUE EU NÃO SOU NOVELA".

Fiquei puto! Aquilo foi direto no meu fígado! Eu, bisbilhoteiro!
Depois me acalmei... E reconheci que:

1) o título é um chamariz banal - nem silogismo, nem nada disso - claro, a gente acompanha especialmente o que nos interessa (dá prazer, é útil, etc);

2) querer "acompanhar" nossos entes queridos (ou mesmo questões que amamos!), ter deles notícia ou ter por eles interesse, em princípio não constitui um mal, desde que não afete negativamente suas vidas, desde que não constitua intromissão, impertinência, invasão de privacidade, etc;

Pois a peça deve falar justamente dos efeitos da impertinência, intromissão - enfim, do "acompanhamento não salutar"...

E como seria bom desenvolver a arte de perceber estamos mais para "remédio" ou para "veneno", em relação aos nossos amigos. Saber ou sentir... Podemos perceber até que para alguns estamos mais para papel de bala, água de salsicha...

Jogo de sempre, da relação entre discurso e sentimento...

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