domingo, 21 de dezembro de 2008

TEMPO DE BALANÇO!

Outro dia ouvi um psiquiatra (Flavio Gikovate) dizer que os balanços de fim de ano trazem certa tristeza a muitas pessoas e que nesta época aumentam ou se agravam quadros de depressão, etc.

Lembrei-me logo do Pneumotórax, de Manuel Bandeira:

"
...
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
..."

Nos balanços anuais (quem me conhece já sabe) minha maior queixa é a falta de amigos. Tenho boa família, ótima namorada, mas amigos são:
outros múltiplos olhares preciosos;
imprescindíveis;
insubstituíveis
...

A falta de dinheiro nem me castiga tanto.

Acabo de dar uma olhadinha na CALCULADORA DO BACEN, para estimar quanto alguém (eu, por exemplo) pode ter perdido em, digamos, viciações. Se for R$100,00 por mês, em 20 anos, com juro de 0,5% a.m., pouco menos de R$50.000,00. Se for, R$500,00 ao mês, nas mesmas circunstâncias, o desfalcado deixou de acumular algo em torno de R$250.000,00.

O fato é que com ou sem esta grana, se você tem um empreguinho e não é consumista, vive, até que bem, do ponto de vista exclusivamente material - mas este não é o mais importante!

Será que neste final de 2008 me sinto um pouco melhor resolvido em relação às pessoas queridas?

Estou há dias a relembrar nomes, que sempre evocam SERES - gente que conheci há décadas ou, como diria Cazuza, em seu Poema:

"De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos ou anos atrás"

Vem também letra de"A Lista", do Oswaldo Montenegro, à cabeça.

Aquelas pessoas que seriam "oásis no deserto da dor" / verdadeiros "anjos", que a gente nunca desejaria perder, não se fizeram tão presentes... por estarem envolvidos com filhos e cônjuges, por terem outros afazeres; e algumas porque simplesmente não vêem mais tanta graça em nós, outras porque estão sem forças...

Em 2008 tive contato com mais pessoas do que o habitual. Com tantas mais por obrigação (ossos do ofício). Com outras, adoraria tomar algo... (companhia por prazer!). Se eu tivesse tempo de conhecer cada um daquelas com quem estive "por obrigação" e as razões que os levaram a serem do jeito que são, certamente percebereia encantos que me fariam ter também vontade de estar mais presente na vida delas. Mas como não dá tempo, como tudo é muito duro, a gente tem saudades mesmo é das que estão mais prontas, mais próximas de nós, gente com quem temos mais empatia.

O saldo deste ano é, no fundo, bem parecido com o dos anteriores. Não mandei tantos "e mails" pessoais quanto gostaria de ter mandado, não telefonei nem visitei as pessoas... (o que, para alguns, pode ter sido até sorte grande...:-)...Menos ainda recebi contatos.

Ainda assim, continuo também como sempre a gostar das pessoas e a torcer para que O ANO QUE VEM SEJA AINDA MELHOR DO QUE ESTE QUE ACABA, sem deixar de ser grato às pessoas que estiveram comigo, especialmente em 2008.

Não receber "e-mails" pessoais (não aqueles de corrente), telefonemas ou visita das pessoas mais queridas, sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha.

Será que não fui legal como poderia ter sido?
Estou menos interessante?
Ou será que meus amigos estão com problema?
Não fui também atencioso com eles?!

Tantas dúvidas vão comigo...

2 comentários:

Anônimo disse...

Maravilhas nunca faltaram ao mundo, o que sempre falta é a capacidade de senti-las e admirá-las.

Mário Quintana

Anônimo disse...

A amizade é um amor que nunca morre.

Mário Quintana