quinta-feira, 17 de julho de 2008

Como os FORNECEDORES ganham SEU $...

MAIS UM CAPÍTULO DA SÉRIE...

Tenho usado este espaço para expressar meu repúdio a diversas contratações existentes no mercado.

Sistemas que, sinceramente, se não existissem, em minha modesta opinião, fariam pouca ou nenhuma falta ao povo.

Em publicações anteriores, já comentamos sobre alguns deles: garantia estendida, consórcio e título de capitalização.

Hoje é dia de fazer ressalvas sobre “previdência privada” e “compra do carro novo, sem dinheiro – só com crédito”.

Ontem, tive a oportunidade de ter contato com dois funcionários de alto escalão de um grande banco – gente que trabalha há décadas no setor.

Coloquei meu ponto de vista, em princípio, contra os contratos de previdência privada, largamente comercializados no Brasil.

Ponderei que, no lugar de o cidadão ficar, por exemplo, 10 anos, fazendo aportes mensais em um plano destes, melhor seria ele investir mensalmente em um CDB ou em Títulos Públicos, com remuneração próxima à taxa SELIC.

Um dos bancários disse que plano de previdência privada é bom negócio, mas não fundamentou sua opinião, muito menos me convenceu.

O outro disse que a vantagem notória da adesão a um plano de previdência seria a contribuição “quase que forçada” com débitos mensais na própria conta bancária, sendo que as desvantagens para o saque antecipado (perdas), acabam por ser uma forma de disciplinar o cidadão. Concordou, no entanto, com minha tese de que, para quem é disciplinado, um outro investimento, ainda que conservador (CDB ou Título Público, por exemplo), poderia gerar melhor resultado.

Não falamos sobre benefícios tributários, e eu continuo convencido de que previdência privada, no BRASIL, é mau negócio.

Pela manhã, fui mais a fundo, com vistas a confirmar ou não minha tese.

Tomei, pois, do “site” do BANCO ITAÚ, qual foi a rentabilidade do plano VGBL Flexprev RF, de janeiro de 2004 até hoje. Resultado: 63%, em quatro anos e meio. Um plano “multimercado”, também cotado, apresentou resultado similar.

Ato contínuo, chequei quanto teria “rendido” um dinheiro em investimento atrelado à taxa SELIC. Resultado: 86%, no mesmo período.

Isto vale dizer que, se um cidadão tivesse aplicado “para os estudos de seu filho”, por exemplo, R$10.000,00 em janeiro de 2004, hoje teria mais ou menos R$16.300,00, se tivesse optado pelo tal planos de previdência, ou R$18600,00, se tivesse aplicado em um dos outros, retro mencionados. A vantagem é de quase 15% para a POUPANÇA FORA DA PREVIDÊNCIA em apenas quatro anos e meio - a diferença é EXPONENCIALMENTE, quanto maior for o prazo considerado.

A razão deste "fenômeno" está nas taxas impostas pelas instituições de previdência privada: taxa de administração (dificilmente menor do que 3% ao ano), taxa de carregamento, taxa de saída, etc.

Logo, salvo melhor juízo e até o reordenamento de minha convicção, fica publicamente contra-indicado - repudiado - o investimento em previdência privada nestes moldes.



Quanto à compra do carro “0Km”, especialmente a longo prazo (há planos de 60 ou mais meses!) e por quem não tem um centavo para dar de entrada, considero outro péssimo negócio.


Um amigo comprou um destes por pouco mais de R$30.000,00, para pagar em 60 parcelas de R$750,00. Total: R$45.000,00.

Hoje cotei o auto em questão e verifiquei que o preço de tabela (FIPE) seria R$32.500,00

Fiz também as seguintes cotações, para o automóvel GOL básico, mais velhinho:

ano 2005, R$20132,00
ano 2001, R$16984,00
ano 2000, R$14274,00
ano 1998, R$12284,00
ano 1996, R$14274.00

Temos, pois, que em 10 (dez) anos há uma depreciação de R$20.000,00, sendo que nos primeiros três ela é ainda mais brutal – equivalente a R$10.000,00 ou mais de R$3.000,00 por ano.

Ou seja, custo de depreciação:

CARRO ZERO: em torno de R$200,00 por mês
CARRO VELHO: em torno de R$65,00 ao mês (tomada, por exemplo, como base a diferença de preço entre um carro 2005 e um carro 2001).

Outro fator a considerar é o IPVA, em torno de 4% do valor do carro. Assim, o imposto do carro novo custa mais de R$1200,00, enquanto o de um carro 98 custaria menos de R$500,00.

Ou seja, custo de IPVA - mensal:

CARRO ZERO: R$100,00
CARRO VELHO: menos da metade disso.

Há que se avaliar a diferença do preço do seguro.


Quanto aos juros, percebemos que, para o carro novo (valor financiado de R$32000,00), haverá custo médio de mais de R$200,00 ao mês. Se a opção foi pela compra de um carro mais velho (ano 2000, valor aproximado de R$15.000,00) teríamos parcelas de aproximadamente R$350,00, com custo de juro mensal médio de R$100,00 - tomada taxa de 1,2% ao mês para ambos os casos.

Ou seja, pela hipótese retro mencionada, temos os seguintes custos mensais dos juros:

CARRO ZERO: R$200,00
CARRO VELHO: R$100,00

Teríamos, pois, mais ou menos os seguintes custos, com DEPRECIAÇÃO, IPVA e JUROS:

CARRO ZERO: R$500,00 a.m. (ao mês) ou R$6000,00 a.a. (ao ano) ou ainda R$30.000,00 em 60 meses!
CARRO VELHO: pouco mais de R$200,00 a.m. (ao mês) ou R$2400,00 a.a. (ao ano) ou ainda R$12.000,00 em 60 meses.

Diferença que certamente não seria gasta em manutenção do carro velho. E, a rigor, o carro novo também irá gerar despesa de manutenção, embora em escala menor.

Logo, salvo melhor juízo e até o reordenamento de minha convicção, fica publicamente contra-indicada (repudiada) a compra de carro “Okm” a quem não tem dinheiro – gente que precisa financiar todo o valor.

Valeria a pena fazer o cálculo do tempo necessário a quem comprasse um carro velho, na condição retro mencionada, e guardasse R$300,00 por mês, para a compra do mesmo carro, ano 2008, depois de algum tempo. Grosseiramente, em três anos, teria economia de mais de R$10.000,00 – mais do que suficiente para a troca por um carro com três anos de uso – idêntico aquele que foi comprado em 60 meses, com a vantagem de ficar dispensado do pagamento de 24 parcelas de R$750,00! Ficariam, no caso, "só" 24 de R$350,00 (prestação de carro velho)!

Mensagem final: para quem usa o carro muito pouco, vale a pena pensar se não compensa optar pelo táxi.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia, caro blogueiro.

Tudo muito bom, tudo muito explicadinho acerca da depreciação do preço de um veículo. Só não entrou nesta sua conta a depreciação de peças e custo com manutenção, além de não ter feito consideração acerca de um carro à gasolina e um carro bicomb, que consome menos.

Todo o ativo tem a sua depreciação, já que nada é eterno, ok?

Ah, e o sr. se esqueceu de subtrair, das referidas rentabilidades, a taxa de administração, a taxa de "sucesso" (qdo a rentabilidade estiver acima da média), o IRRF e o IOF. E, o mais importante, esqueceu de frisar que investimentos em fundos não têm cobertura do FGC (fundo garantidor de crédito) e, podem ser ilíqüidos, tais como os fundos do Banco Santos e do Opportunity, o que não acontece com um veículo, por exemplo.

Do mais, tudo é um risco...

Abraços fraternos, Eugênio

Anônimo disse...

Caro blogueiro.

Como o blog anda mal frequentado por comentaristas de economia e investimentos, só nos resta a literatura. Quero sugerir-lhe a leitura de "O vermelho e o negro" de Stendhal. Realismo, ironia, sarcasmo, hipocrisia...aliás, o Machado de Assis bebeu desta fonte.. Muito Bom!