quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sobre esta data!

Sempre me pergunto se vale a pena ou não dar tanta importância às datas comemorativas - seja, por exemplo, um aniversário de um ente querido (coisa particular), ou uma data em que comemoramos algo importante para a vida de todos (coisa coletiva).

Mas não tem jeito. A gente pára, pensa...

Com relação ao meu trabalho, nunca me esqueço do que já foi dito por alguém sobre o órgão público onde exerço minhas atividades:

- o serviço prestado é irrelevante;
- o salário é ruim;
- não há plano de carreira nem perspectivas;

Quanto à relevância do serviço, realmente é bem limitado.

Como diria um outro, “os escritos são projeções de dúvidas do autor...”. Nesta linha, às vezes também me pergunto como ficaria o povo sem um órgão destes - um cenário em que o Estado simplesmente resolvesse aboli-lo. As pessoas passariam todas a recorrer aos Juizados Especiais Cíveis, cujo serviço, inegavelmente, também deixa bastante a desejar. Os fornecedores não receberiam as multinhas nem advertenciazinhas que recebem hoje. Consumidores com um serviço a menos de orientação. Ficaria do jeito que o diabo gosta!

Meio conformado, chego à conclusão que trabalho para um órgão de relativa relevância - que rótulo!

O salário é mais ou menos aquele que o DIEESE considera como o MÍNIMO. Pleiteamos 25% de reajuste, só para reposição da perda inflacionária.

O governo não atende nosso pleito. Deve achar que o serviço é mesmo irrelevante e que o salário não é tão ruim assim. Afinal, há tantos outros iguais ou piores: salário de professor, de policial, de tanta gente que trabalha com saúde...

Plano de carreira ou perspectiva, de fato, não há mesmo. Nas mentes de muitos dos que trabalham comigo está o sonho de conseguir um emprego melhor, em outros ares. Difícil é saber quantos estão fazendo algo efetivo para...

Quanto a mim, tenho dúvidas se teria condições de obter emprego melhor - não me refiro apenas ao salário. Importante realçar que uma coisa é querer, outra é ter condição!

Tenho uma percepção ainda mais negativa: para os governantes, manter ou não seu corpo funcional com experiência e capacitação não é prioridade. Como dizia meu pai, (pensam que) somos máquinas... Julgam que há peças de reposição sobrando - haja vista a lista de espera nos concursos... Não é preciso manter o funcionário competente e experimentado. O povo também não tem outra alternativa - tem que se contentar com o que o Estado pode oferecer...

Pior ainda: parece que não há nem mesmo necessidade de repor as peças. Afinal, estamos completando 6 (seis) meses sem uma única convocação das "peças de reposição".

“O ESTADO DE SÃO PAULO” publicou reportagem na última terça-feira sobre as longas filas de espera e a falta de funcionários no PROCON.

Mas parece que está tudo bem, o povo espera... é a política vigente!

Se alguém estiver lendo o que escrevo, gostaria que parasse e pensasse se não considera grave um concurso com validade de quatro anos, não ser utilizado durante 1/8 (um oitavo) deste período.

E tem gente (colegas de trabalho) que vislumbra a possibilidade de os estagiários voltarem a ser utilizados mais intensivamente... E eu fico a me perguntar se o governo não está certo. Se os próprios colegas pensam assim, prá que funcionário? Prá que salário?

Do ponto de vista mais geral, vou adotar o mesmo ponto de vista cinza, lamurioso...

Tenho tido um pouco de contato com o discurso do Sr. Mangabeira Unguer sobre a reforma trabalhista.

Ele e seu grupo salientam como falhas graves de nosso sistema a não inclusão de boa parte dos trabalhadores brasileiros no mercado formal e o fato de que, "ano a ano", os salários têm representado fatia menor em relação à riqueza nacional.

Entendo toscamente o fenômeno a partir de um exemplo: há dez anos, determinada montadora tinha mais de 35000 (trinta e cinco mil) funcionários - hoje, tem pouco mais de 10000 (dez mil), boa parte deles terceirizados. E na nova condição produz “n” vezes o número de carros que antes produzia. Arriscaria dizer que, assim como o meu, o salário dos funcionários desta montadora está achatado - e que ela contrata hoje, para funções similares, pessoas mais qualificadas, que se sujeitam (por falta de alternativa) a ganhar menos. Claro que isto se repete nas indústrias de auto-peças e em outros setores.

Prá que trabalhador? Prá que trabalho? Prá que salário?

Gostaria, de novo, que o quadro mudasse. E acho que este desejo e até esta consciência são coletivos.

Mas, uma coisa é desejar, outra é ter condições, interesse, ATITUDE... Temos?

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