quinta-feira, 22 de maio de 2008

BB negocia incorporação da NOSSA CAIXA

Esta notícia me deixou eufórico.

Há algum tempo cheguei à conclusão de que ter uma conta no BB seria o menor dos males.

Como já reiterado neste espaço, acredito nas empresas públicas. A meu ver bancos privados não trazem benefícios ao povão. Foco no LUCRO, "OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS"...

Infelizmente, muitos de nossos governantes e parte do que chamam "sociedade" ainda entendem que deve haver o "estado mínimo", livre, tanto quanto possível, de servidores ou empregados públicos concursados. Sobre o tema, vide também o que foi publicado no blog do PHA.

O BB, especificamente, oferece possibilidade de investimento em TÍTULOS PÚBLICOS, coisa rara em outros bancos, por uma simples razão: o “produto” concorre, com grande vantagem, diretamente com os fundos de renda fixa que eles comercializam, cobrando taxa de administração em patamar que considero abusivo, em torno de 4% ao ano, no caso de pequenas quantias.

Funciona mais ou menos assim:

Imagine que você tenha R$1000,00. Procura o banco “x” e aplica em um fundo de renda fixa, que lhe cobra a referida taxa. Ao final de um ano, “por ter administrado seu dinheiro”, o banco abocanhará R$40,00.

Isto explica também a razão de os bancos oferecerem descontos em tarifas de conta-corrente a quem tem investimento, por exemplo, superior a R$10.000,00.

E se alguém pensa que o fundo do banco possa ser melhor do que o investimento direto em títulos públicos, é bom saber que quase toda a carteira dos fundos é composta pelos aqueles títulos. O banqueiro compra o título PÚBLICO, junta com uma ou otura coisinha, e revende prá você, mais caro, claro!

Os mesmos que vivem incomodados com o Estado que coage (ou deveria coagir), do governo que GOVERNA (ou deveria governar!), são os que adoram reunir dinheiro dos que querem emprestar para o Estado e disso tirar proveito, o que vale dizer, LUCRO com a intermediação!

Eu não diria que caracteriza propriamente “trabalho de burro” investir em nos fundos dos bancos – talvez “trabalho de desinformado”.

Quem tem a informação de que a taxa de administração anual do investimento direto em títulos públicos é da ordem de 0,5%* conscientemente não entrega seu dinheiro a quem cobra oito vezes mais!
* Paga-se também taxa inicial, um pouco menor do que 0,5%, a cada aplicação!


E a segurança? Ora, risco sempre há. O Governo pode um dia calotear. Praticamente não há diferença: quem compra títulos públicos, neste caso, será diretamente caloteado. E quem comprou fundos, ancorados nos mesmos títulos, sofrerá o mesmo efeito!

Mas o Banco do Brasil é bom?

Claro que não. Banco tem sempre muito de ruim.

Este, por exemplo, comercializa o Ouro Cap. Um título de capitalização – combinação de investimento com loteria – ruim nos dois aspectos. Como investimento, o retorno é ridículo. Como loteria, as chances de ganhar são ainda menores do que as pífias chances das loterias convencionais, considerada a mesma aposta. Vi esta demonstração feita por emérito professor de Matemática Financeira.

No Banco do Brasil há poucos caixas e filas enormes – em algumas agências, procuram fazer de tudo para não receber pagamento de contas de água, luz, etc... Orientam os clientes a procurar os ditos "correspondentes bancários" ou qualquer outro lugar!

E sacaneou também no último concurso - publicado edital com validade de apenas dois anos, apesar de a Constituição prever possibilidade de prorrogação. Terminada a validade do concurso, de apenas dois anos, lançou um outro, sem chamar muitos dos "aprovados", que poderiam ser chamados, caso tivessem feito o edital com prorrogação. Acompanhe a briga na Justiça!

E a Nossa Caixa?

Foi o primeiro banco onde tive conta – isto há 20 anos.

Num tempo que Bradesco, Itaú – os comerciais – exigiam que o cliente tivesse renda e deixasse saldo médio, foi a NOSSA CAIXA que me acolheu como cliente, mesmo com salário ínfimo e sem condições de deixar “saldo médio” para que o banco ganhasse com meu dinheiro. Aparentemente, tinha mais interesse em prestar serviço ao maior número de cidadãos do que aproveitar-se daqueles que tivessem emprego e bom salário.

No entanto, mais recentemente, percebi que a NOSSA CAIXA mudou a postura:

a) chegaram a ter um fundo denominado “seven”, cuja taxa de administração era de 7%;

Isto mesmo, um roubo!

b) chegam a vender consórcio, dizendo que você não paga taxa de administração nas últimas parcelas;

Na verdade, paga toda a taxa de administração nas primeiras – outra sacanagem!

c) chegaram a oferecer empréstimo pessoal a "não clientes" com taxa em torno de 7% ao mês;

Para o cliente, com conta há "x" meses, a taxa era menor. Na prática um condicionamento, a meu ver, repulsivo.

d)enquanto servidor do estado, sempre paguei mais tarifa neste banco do que no Santander;

Quando um banco público oficial passa a ter conduta igual ou pior do que de banco privado, algo está errado.

Só espero que, se a negociação vier a ocorrer, os funcionários da Nossa Caixa não tenham prejuízo. E que muitas novas contratações ocorram, com salários e planos de carreira cada vez melhores, de forma que o povo possa ter melhor serviço prestado!

Por fim, coloco aqui o quadro que considero dantesco: reclamações registradas nos últimos anos, no PROCON/SP contra bancos oficiais.

Se não respeitam nem mesmo o posicionamento do órgão legitimado para defender os consumidores...

Prometo, em breve, colocar comparativo similar, com nomes e dados de “outros bancos”.

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