terça-feira, 29 de abril de 2008

O SILÊNCIO (Martha Medeiros)

"Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala"

Então, parei para interpretar a frase acima e ... imediatamente me veio
à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis pois,
você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo.
Um E-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o
clima de tensão.
Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer
ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de
entendimento.
Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas
queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar:

"Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem vindo.
Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um
bálsamo

Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois
não incomoda, pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária
eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem...

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