quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sobre TENTANDO SER...

No tempo em que meia dúzia de pessoas lia isto aqui, uma disse que "TENTANDO SER" é um clichê e que este nome sugere uma absurda divisão entre as pessoas (as que SÃO e as que NÃO SÃO).

É da gente a característica – nem chamo de defeito – de SER julgador.

Julgar seria virtude humana?

Basta que a condenação seja razoável, que a parte seja considerada como parte, que não se julgue o todo pela parte.

Repudiar o crime, mas saber que há muito além na pessoa que o cometeu do que um simples CRIMINOSO!

Necessário que os critérios para o veredicto sejam constantemente repensados, já que o juízo humano é falho...

E atentar para a finalidade do julgamento – no mais das vezes, não se trata de lançar fora o todo!

É mais para tentar dar um jeito em vazios incômodos e outros veneninhos da alma...


Já faz tempo, cheguei a ouvir de amigos que me consideravam um tipo que “gosta de todo mundo”, que “não vê maldade nas pessoas...”, etc.
Este “gostar de todo mundo”, quase todo pureza e virtude, mal interpretado, pode ser confundido por desgraçadas mentes com pura galinhagem.

E pela expressão usada no período anterior já se percebe que não sou exatemente isto que os amigos diziam.

Sinto os efeitos nocivos da ruína humana (não só da mente...).

Será que um dia terei a revelação das causas? Falta de dádivas? Ignorância? (ESTA TEM FEITO MUITO MAL POR AÍ, TEM ME INTRIGADO, SOBRE ELA HÁ MUITO PARA SER ESCRITO, CONTRA ELA, MUITO A SER PRATICADO..)Motivações não bem direcionadas?

O fato é que, como todo mundo, tenho admiração diferenciada por alguns contemporâneos relativamente próximos que pesam sobre esta mesma Terra. Não sei se são os mais dadivosos, os que tiveram mais chances, os que aproveitaram melhor...

(SOBRE DÁDIVAS, OUVI ALGO INTERESSANTE ESTA SEMANA - DEPOIS COLOCO AQUI)

A procura de explicação do fator preponderante do gostar, creio, seria vã... Talvez a conjuntura, talvez nem Freud explique...:-)...

Seria puramente questão de sorte, um tanto questão de meio ou boa parte devido ao “esforço próprio”? Creditar valor aos “fatores externos” parece negar a possibilidade de cada um de nós vir a SER. E negar isso seria desastroso...seria perder um pouco da razão de viver.

Como sempre se diz, “o homem é também a sua condição”. Mas até com a condição há mais de um modo de se lidar... Dizia Oswaldo Sibineli, em seu programa na Rádio Boa Nova de Guarulhos (sim, eu escutava!): “um caminho novo, eu não conheço, mas conheço um novo jeito de caminhar...”.


A conclusão mais simples seria: gosta-se de uma pessoa, conjunto de facetas, e pronto!

Claro que neste gostar está implícito o desejo de não perder contato com gente tão rara.

Mas querer mantê-lo não significa querer possuir o outro, tomar dele um tempo ou qualquer outro recurso que ele não tenha para nos dar, muiro menos tentar impor "reciprocidade".

Curioso, eu não gosto da ingratidão, mas não acredito nem no provérbio “INGRATIDÃO TIRA A AFEIÇÃO”.

Quantas vezes, quantas pessoas, que achávamos que “valiam a pena” não retribuíram nossa atenção. Mudaram, não deixaram endereço, desapareceram...
Deixamos de gostar delas por isso?

Muito provavelmente seus recados, suas visitas, seus telefonemas seriam para nós injeções de felicidade. Ainda que fossem mais pedidos de ajuda...

Mas se ela estiver SENDO ainda aquela pessoa de quem tanto gostamos, ainda que longe da gente, isto já não é bom? Talvez não esteja nos “servindo” como gostaríamos, mas está, por certo bem servido a ela própria e muito provavelmente a outros...

E se pensamos que ela não está tão feliz e que poderíamos ser úteis?
Pode ser, mas e se ela não estiver nem mesmo em condição de assimilar o que consideramos ser uma “ajuda”.

Uma “gata” um dia me disse que estava tão escaldada que não suportava nem ouvir falar em qualquer coisa que lembrasse água!

Às vezes, relutamos (e outros também relutam) em querer, em aceitar algo que JULGAMOS possa ser bom. E será que o que temos é BOM mesmo? Não somos um pouco impotentes, até para julgar...

Pobre diabo eu nem sei quem sou!

O resto da letra, convenhamos, é bem besta (não, não vou dizer uma bosta!), mas para este tosco blogueiro foi um desafio decifrar o significado da expressão “pobre diabo”. Acho que é um Rei do mal, porém sem poder!

A gente É mas não quer SER pobre diabo, não!
No caso, vivo TENTANDO também NÃO SER, o que significa querer um pouquinho a dádiva do poder e do melhor discernimento e bem afastado do mal.

Será
mesmo muito particular e não convencional este meu jeito de gostar e também de não gostar?

Nenhum comentário: